Pelo «Kontrastes 3.0» tenho-me dedicado particularmente às eleições americanas deste ano. Por esse mesmo motivo não vejo necessidade de repensar toda a corrida de cavalos por aqui. No entanto, parece essencial, à luz deste acontecimento, escrever umas notas sobre a «Obamania». Primeiro, porque Barack Obama pode vir a ser o próximo presidente dos EUA, sucedendo (tarde) a George W. Bush. Segundo, porque ele veio do nada e tornou-se num sucesso mediático.Barack Obama entrou na corrida presidencial como um outsider, alguém que ao cabo de algumas semanas desistiria e juntaria o seu pequeno eleitorado ao eleitorado do favorito democrata. No entanto, num curto espaço de tempo, a lógica inabalável mostrou-se errónea. Barack Obama disputava com Hillary Clinton a preferência para a candidatura democrata. O braço-de-ferro tornou-se prato forte das eleições deste ano.
Desde os movimentos populares de contestação à guerra do Vietname, que não se via as camadas jovens tão empenhadas civicamente. Barack Obama personificou o sonho de uma América nova, aberta, global, dialogante, pacífica, cooperante. Uma América anti-imperialista.
Obama trás consigo uma carga simbólica que ultrapassa largamente a sua pessoa. Obama é um conceito novo: candidato negro, candidato jovem, candidato especial. Obama está a um passo de se tornar o special one da política internacional. Não é por acaso que José Sócrates e Luís Filipe Menezes começam a copiar o seu estilo. Curiosamente Obama poderá ter maior expressão enquanto sonho do que enquanto realidade. Derrotado será sempre um vencedor, nas cabeças pairaram: e se ...?
[João Ferreira Dias]
