quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

E uma esquerda patriótica para Portugal?

Na passada segunda-feira a correr os canais da MEO à procura de alguma porcaria que não fizesse mexer o dedo acabei por encontrar uma biografia, tendenciosa quanto baste, do Fidel Castro a passar no National Geographic, a curiosidade travou-me o dedo.
Aprendi que o jovem Fidel universitário entrou na política revolucionária pelo nacionalismo, aparentemente o comunismo acabou por ser uma necessidade - mais uma moeda de troca - quando a guerrilha partiu para as montanhas e os soviéticos, beneméritos, providenciaram os recursos necessários...
Enfim, já Ceresole afirmava o patriotismo de Fidel Castro, na Argentina mantenho contacto com os trotsquistas da Esquerda Nacional, a Revolução já recebeu duas missivas da embaixada da Venezuela, por toda a América Latina a esquerda - comunista ou não - é sinónimo de patriotismo e do mais dedicado nacionalismo, o Che e o Perón fundem-se num folclore único.
Aqui ao lado em Espanha também o nacionalismo é sinónimo de nacionalismo radical, lá longe na Rússia e na Ásia os comunismos maoistas, coreanos, vietnamitas e eslavos cantam a independência e o orgulho pátrio... e nós? Para quando uma esquerda patriótica para este pobre Portugal?

[Flávio Gonçalves]

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

ALEGRE RECEIO DE MENORES

Convenhamos que só tem receio de oposição quem não tem confiança em si mesmo. E isso, entre outras coisas, é um sinal de fraqueza. Em política é ainda pior. Quando o Partido Socialista e o Partido Comunista Português se sentem ameçados com a possibilidade de Manuel Alegre avançar para a criação formal de um partido político, então temos consciência que temem pela monopolização do espectro político nacional. A oligarquia nunca admitiu ingerências no seio do lóbi.
[João Ferreira Dias]

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

as barreiras ideológicas do sistema

Recebi há pouco um cartaz da revista socialista revolucionária francesa Rébellion, o cartaz é extremamente simples: um A3 branco com os dizeres "derruba as barreiras ideológicas do sistema" (que achei ser um nome giro para animar este postal) e o desenho de um tijolo a partir uma vidraça. Há alguns anos tive também contacto com esta revista, nem recordo porquê o editor deles achou por bem oferecer-me uma assinatura de um ano, nem sei onde terá encontrado o meu contacto. Não serviu de grande coisa, no que diz respeito à língua francesa sou um verdadeiro analfabeto,
Mais recentemente e após ter aceitado dirigir a revista Revolução (certamente alguns de vós já sabiam que era eu o director da publicação??) achei por bem levar à letra este lema dos socialistas franceses: criar uma publicação verdadeiramente libertária, que não se restrinja por nenhum dogma ideológico, uma revista para o século XXI, os autoritarismos convencionais desapareceram no século XX, o comunismo foi derrotado economicamente, o nazismo e o fascismo foram derrotados militarmente e, portanto, assassinados intelectualmente (sorte a que escapou o comunismo).
Verdade seja dita que o panorama de publicações libertárias em Portugal é deprimente, temos duas revistas anuais (Utopia e A Ideia) que, por serem anuais, acabam por conter alguma doutrina mas são pouco divulgadas e existem mais por teimosia dos seus editores - que muito louvo - do que da necessidade de atrair sangue novo e romper com dogmas com os quais a juventude actual cresceu. Era necessária uma revista multidisciplinar!
Certamente que muitos odeiam o trabalho que eu e mais uma mão cheia de pessoas achamos que devíamos fazer, não existem revistas artesanais actualmente, não existem as mil e umas fanzines feitas em máquina de escrever e com recortes do meu tempo de juventude, fora o jornal bimestral A Batalha (um veterano fundado em 1919), que é ainda um exemplo de combate ético, da minha juventude. Por uma série enorme de factores cozinhou-se a receita da Revolução (terceiro número já em preparação) que é um esforço conjunto de - além de mim, obviamente - um marxista, um anarquista e um eco-anarquista, e ainda de alguém ligado à esquerda nacional... ou seja, inspirados tanto pela Green Anarchist original quanto pela Rébellion francesa, criou-se algo necessário: uma mescla de textos libertários, música punk, marxismo, socialismo patriota... confusão esta que tem agradado a algumas pessoas e que muita confusão tem causado a outras (admito inclusive que estou curioso acerca da opinião do nosso companheiro Carlos José Teixeira) já que não entendem o propósito de tal revista.
Este postal, escrito de improviso, não era suposto ser acerca da revista, falo dela não para a promover (ou a mim, nós até preferimos não assinar a maior parte dos textos da revista) mas como exemplo único, pelo menos em Portugal, de algo que conseguiu - e em apenas dois números - romper com as barreiras ideológicas que o sistema nos impõe: esquerda e direita actualmente já não fazem sentido nenhum, ou ainda acham que existe uma diferença real entre o PS e o PSD???
Ser fascista ou antifascista actualmente, num mundo no qual o fascismo nem sequer existe politicamente, é uma imbecilidade. O despotismo, a monarquia, a república, o comunismo, o fascismo e os regimes totalitários (como Salazar e Franco) tiveram e seu tempo, ao longo da História as ideologias foram surgindo, funcionaram durante algum tempo, depois surgiram novas ideologias... pois bem, nota-se que a partidocracia actual não funciona, estamos já no século XXI, não será altura se surgir algo realmente novo?
Mas até lá vou contribuindo com uma síntese prática, uma convergência de vontades revolucionárias ou um bloco negro ideológico se preferirem, contra o actual sistema. Esperemos que esta semente dê frutos e que o futuro seja além das barreiras que o sistema criou para manter a juventude rebelde ocupada a combater entre si em vez de o atacar a ele!

[Flávio Gonçalves]

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

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O seleccionador nacional de futebol, Scolari, definiu como objectivo para a participação no Europeu a ida à Final.
O possível próximo presidente dos EUA, John McCain, definiu como um dos grandes objectivos da sua presidência apanhar Bin Laden nem que tenha que ir às portas do inferno para o trazer à justiça.

Começo pelo segundo, pelos vários absurdos do compromisso que assumiu. Certamente imbuído da mais genuína euforia eleitoral, o candidato republicano avançou com aquilo que lhe deverá soar como um trunfo na manga se tivermos em conta o facto de acumular a opção ideológica com o estatuto de veterano de guerra.
Mas é precisamente na guerra que se encontra a maior das imensas fraquezas do desastrado (desastroso) mandato de Bush, talvez à beira de se tornar (pela habituação) na segunda maior em face do desacerto económico instalado à despedida.
E das duas uma: ou McCain acha que Bush não fez o suficiente para encontrar o inimigo público número um, ou acredita ingénuo que tanto tempo depois do 11 de Setembro a importante faixa de eleitorado palerma que elegeu o actual presidente vai voltar a aceitar a serradura terrorista nos mesmos olhos que lhes revelam o saldo bancário em queda.

E se McCain promete aos americanos as portas do inferno, Scolari oferece aos portugueses uma repetição da vista de olhos pelas portas do céu (onde nos deixou na anterior final, no Euro 2004).
Para um treinador campeão do mundo e vice-campeão da Europa faz sentido deixar a fasquia numa presença na final? Sobretudo depois de termos perdido a anterior?
Escapa-me o objectivo embutido nesta definição que Scolari oferece como mote da participação portuguesa na referida competição.
Se pretendia não exagerar nas expectativas bastaria refugiar-se no tradicional “mais longe possível”. Se, por outro lado, pretendia incutir ambição ganhadora nos seus pupilos faria sentido apontar para o título e nada menos.
Onde ficamos assim? No estivemos quase do costume. Com o tal requinte de o objectivo, quatro anos passados, ser precisamente o mesmo que tanto frustrou os jogadores como todo um país e assim se constituir uma aziaga evocação.

Não entendo as estratégias de liderança e, mais ainda, de motivação adoptadas pelos figurões deste nosso tempo marado. Parece tudo talhado para baralhar as contas aos comuns mortais que tentam guiar-se pelos palpites destas figuras de proa num barco sem leme.
A nossa selecção reflecte bem o desnorte e poucos ousam vaticinar-lhe grande futuro no próximo Europeu.

Resta-nos aguardar para ver que rumo tomarão os eleitores americanos perante este republicano com ambições de Columbo e discurso de Rambo.
É que tudo indica que a maioria dos sobrinhos de Sam está farta de filmes de guerra ou policiais.

E a perspectiva de um remake da Administração Bush deve soar-lhes mais ou menos como um filme de terror.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

MATILDE, ESPALHA BRASAS

É o título do filme de 1996 realizado por Dan DeVito, mas assenta bem na prática política da Ministra brasileira para a Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Aliás, a política no Brasil ainda não atingiu um patamar de verdadeira Democracia, ficando-se pela intensão de práticas democráticas. A corrupção tem sido o calcanhar de aquiles de um país com um potencial imenso. Matilde Ribeiro não escapou à tentação de usar dinheiros públicos em causa própria. Seguiu-se o pedido de demissão. Lula não tem tentáculos para controlar tanta corrupção instalada.
[João Ferreira Dias]