Mais recentemente e após ter aceitado dirigir a revista
Revolução (certamente alguns de vós já sabiam que era eu o director da publicação??) achei por bem levar à letra este lema dos socialistas franceses: criar uma publicação verdadeiramente libertária, que não se restrinja por nenhum dogma ideológico, uma revista para o século XXI, os autoritarismos convencionais desapareceram no século XX, o comunismo foi derrotado economicamente, o nazismo e o fascismo foram derrotados militarmente e, portanto, assassinados intelectualmente (sorte a que escapou o comunismo).
Verdade seja dita que o panorama de publicações libertárias em Portugal é deprimente, temos duas revistas anuais (
Utopia e
A Ideia) que, por serem anuais, acabam por conter alguma doutrina mas são pouco divulgadas e existem mais por teimosia dos seus editores - que muito louvo - do que da necessidade de atrair sangue novo e romper com dogmas com os quais a juventude actual cresceu. Era necessária uma revista multidisciplinar!
Certamente que muitos odeiam o trabalho que eu e mais uma mão cheia de pessoas achamos que devíamos fazer, não existem revistas artesanais actualmente, não existem as mil e umas fanzines feitas em máquina de escrever e com recortes do meu tempo de juventude, fora o jornal bimestral
A Batalha (um veterano fundado em 1919), que é ainda um exemplo de combate ético, da minha juventude. Por uma série enorme de factores cozinhou-se a receita da
Revolução (terceiro número já em preparação) que é um esforço conjunto de - além de mim, obviamente - um marxista, um anarquista e um eco-anarquista, e ainda de alguém ligado à esquerda nacional... ou seja, inspirados tanto pela
Green Anarchist original quanto pela
Rébellion francesa, criou-se algo necessário: uma mescla de textos libertários, música punk, marxismo, socialismo patriota... confusão esta que tem agradado a algumas pessoas e que muita confusão tem causado a outras (admito inclusive que estou curioso acerca da opinião do nosso companheiro
Carlos José Teixeira) já que não entendem o propósito de tal revista.

Este postal, escrito de improviso, não era suposto ser acerca da revista, falo dela não para a promover (ou a mim, nós até preferimos não assinar a maior parte dos textos da revista) mas como exemplo único, pelo menos em Portugal, de algo que conseguiu - e em apenas dois números - romper com as barreiras ideológicas que o sistema nos impõe: esquerda e direita actualmente já não fazem sentido nenhum, ou ainda acham que existe uma diferença real entre o PS e o PSD???
Ser fascista ou antifascista actualmente, num mundo no qual o fascismo nem sequer existe politicamente, é uma imbecilidade. O despotismo, a monarquia, a república, o comunismo, o fascismo e os regimes totalitários (como Salazar e Franco) tiveram e seu tempo, ao longo da História as ideologias foram surgindo, funcionaram durante algum tempo, depois surgiram novas ideologias... pois bem, nota-se que a partidocracia actual não funciona, estamos já no século XXI, não será altura se surgir algo realmente novo?
Mas até lá vou contribuindo com uma síntese prática, uma convergência de vontades revolucionárias ou um bloco negro ideológico se preferirem, contra o actual sistema. Esperemos que esta semente dê frutos e que o futuro seja além das barreiras que o sistema criou para manter a juventude rebelde ocupada a combater entre si em vez de o atacar a ele!
[
Flávio Gonçalves]