O seleccionador nacional de futebol, Scolari, definiu como objectivo para a participação no Europeu a ida à Final.
O possível próximo presidente dos EUA, John McCain, definiu como um dos grandes objectivos da sua presidência apanhar Bin Laden nem que tenha que ir às portas do inferno para o trazer à justiça.
Começo pelo segundo, pelos vários absurdos do compromisso que assumiu. Certamente imbuído da mais genuína euforia eleitoral, o candidato republicano avançou com aquilo que lhe deverá soar como um trunfo na manga se tivermos em conta o facto de acumular a opção ideológica com o estatuto de veterano de guerra.
Mas é precisamente na guerra que se encontra a maior das imensas fraquezas do desastrado (desastroso) mandato de Bush, talvez à beira de se tornar (pela habituação) na segunda maior em face do desacerto económico instalado à despedida.
E das duas uma: ou McCain acha que Bush não fez o suficiente para encontrar o inimigo público número um, ou acredita ingénuo que tanto tempo depois do 11 de Setembro a importante faixa de eleitorado palerma que elegeu o actual presidente vai voltar a aceitar a serradura terrorista nos mesmos olhos que lhes revelam o saldo bancário em queda.
E se McCain promete aos americanos as portas do inferno, Scolari oferece aos portugueses uma repetição da vista de olhos pelas portas do céu (onde nos deixou na anterior final, no Euro 2004).
Para um treinador campeão do mundo e vice-campeão da Europa faz sentido deixar a fasquia numa presença na final? Sobretudo depois de termos perdido a anterior?
Escapa-me o objectivo embutido nesta definição que Scolari oferece como mote da participação portuguesa na referida competição.
Se pretendia não exagerar nas expectativas bastaria refugiar-se no tradicional “mais longe possível”. Se, por outro lado, pretendia incutir ambição ganhadora nos seus pupilos faria sentido apontar para o título e nada menos.
Onde ficamos assim? No estivemos quase do costume. Com o tal requinte de o objectivo, quatro anos passados, ser precisamente o mesmo que tanto frustrou os jogadores como todo um país e assim se constituir uma aziaga evocação.
Não entendo as estratégias de liderança e, mais ainda, de motivação adoptadas pelos figurões deste nosso tempo marado. Parece tudo talhado para baralhar as contas aos comuns mortais que tentam guiar-se pelos palpites destas figuras de proa num barco sem leme.
A nossa selecção reflecte bem o desnorte e poucos ousam vaticinar-lhe grande futuro no próximo Europeu.
Resta-nos aguardar para ver que rumo tomarão os eleitores americanos perante este republicano com ambições de Columbo e discurso de Rambo.
É que tudo indica que a maioria dos sobrinhos de Sam está farta de filmes de guerra ou policiais.
E a perspectiva de um remake da Administração Bush deve soar-lhes mais ou menos como um filme de terror.
Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008
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[repartições] No Te Callas, Shark
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3 reclamações:
Não me importava que John McCain fosse às portas do inferno e por lá ficasse, a abanar os espantalho do Bin Laden que ele e outros inventaram.
Seco e cru, Diogo.
Já eu não desejo mal ao homem. Além do mais ele já tem o inferno a acontecer-lhe à porta de casa...
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