O palavrão não é meu mas de um indivíduo que (só Deus saberá como e porquê) calhou tomar o poder num país produtor de petróleo e só por isso capaz de catapultar um cromo como Chavez para as parangonas mediáticas à escala planetária.
Depois da triste figura que motivou a célebre (e oportuna e justificada) intervenção do rei Juan Carlos, Chavez protagoniza mais uma deselegante exibição da sua política de taberna quando se dirige à oposição (que, ele próprio legitima-se nessa base, o derrotou em eleições democráticas) como tendo obtido una victoria de mierda (sic).
Com esta exibição de grosseria e de mau perder, o presidente da (cada vez mais) república das bananas venezuelanas tirou com a mão da estupidez aquilo que a da sensatez oferecera quando reconheceu a derrota numa primeira intervenção.
Entre as mais importantes diferenças que distinguem, ou devem distinguir, o líder de uma nação e os cidadãos comuns, o Sentido de Estado destaca-se como imperativo moral. E o de Chavez não faz sentido nenhum, pois a birra do indivíduo sobrepõe-se ao interesse colectivo que lhe compete, no cumprimento da função institucional que assumiu, acautelar em primeira instância.
Confesso que lhe achei piada pela irreverência com que se dirigia ao seu homólogo norte-americano, quando ainda desconhecia os contornos da sua ascensão ao poder e da personalidade excêntrica e irresponsável que o caracteriza.
Para mim tratava-se de um homem de esquerda, eleito democraticamente e capaz de reavivar um conjunto de ambições para aquela zona do mundo tão fustigada por ditaduras sangrentas e golpes militares por sistema.
Agora vejo-o como um gorila sem maneiras e, no que concerne ao perfil para o cargo que ocupa, absolutamente incapaz de governar um país daquela dimensão.
Ou de outra.
O mínimo que se pode exigir a um Chefe de Estado é o respeito pela dignidade do cargo e Chavez em muito a enxovalha com os seus excessos e birras. Na pele de um venezuelano jamais poderia rever-me num líder assim, capaz de envergonhar o meu país e, tudo indica, de o deitar a perder em matérias gravíssimas como o normal funcionamento da Economia, da Política Externa e da liberdade de expressão.
Qualquer um destes aspectos é fulcral para a vitalidade de uma democracia moderna.
E eu dou comigo a estranhar a ausência de mais um golpe militar (ou mesmo uma guerra civil) num país da América Latina, quando me recordo do exemplo de Allende que, por muito menos, ofereceu ingénuo a Pinochet uma janela de oportunidade escancarada.
[Shark]
Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007
UM SENTIDO DE ESTADO DE MIERDA
[repartições] Hugo Chavez, No Te Callas, Shark
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4 reclamações:
Eu tenho receio que uma vez mais a máxima, que acaba por ser anarquista, "o poder corrompe" possa afectar o Chávez, tal como corrompeu o Khadafi, o Saddam, o próprio Estaline e tanta gente bem intencionada que, reza a História, perdeu completamente o norte quando chegou ao poder.
Mesmo assim, Chávez mantém ainda a minha simpatia política, eu também tenho péssimo feitio e compreendo explosões destas, também já as tive quando era dirigente partidário.
O homem precisa de férias.
Eu seria o último homem a poder invocar o mau feitio como pedra de arremesso contra seja quem for, Flávio.
E até podia conceder-lhe o benefício da dúvida que suscitas, se não tivesse existido aquele detalhe da tentativa de perpetuação no poder implícita na questão referendada.
É um tirano, está cada vez mais ébrio de poder e se no lo callan a bem, o rumo dos acontecimentos acabará por conduzir o fulano a um final pouco feliz. A mal.
Abraço, pá.
Não podemos esquecer que Allende foi deposto num golpe orquestrado pelos Estados Unidas da América numa altura em que a contra-informação americana ainda podia usar esses golpes baixos.
Naturalmente agora usam outros golpes, uns menos discretos que outros (Iraque e etc).
Pessoalmente vejo o Chávez como o típico oportunista que se colou ao chavão da esquerda por ter intuido, oportunamente, que esse era o mais eficaz.
Políticos... não fosse acalmar as massas e dar-lhes a ilusão que são os seus representantes, e não serviam para absolutamente nada!
E não esquecemos, Medusasss, embora a imprudência da euforia socialista tenha aberto a tal janela de oportunidade que os do costume aproveitaram (como tentaram igualmente em Cuba e noutras nações próximas).
Concordo com a tua visão acerca dos políticos, embora me arrepie pensar a Democracia entregue a gajos que nos transmitem uma ideia destas... :-)
Bem vinda ao RP!
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